Desde o dia 3 de novembro, 90% da população do Amapá sofre com a precariedade no fornecimento de energia elétrica no estado.
O apagão tem gerado transtornos no fornecimento de água e na manutenção de alimentos.
O estado restabeleceu parte da distribuição da energia que, no último domingo, passou a operar em regime de rodízio. Os moradores reclamam, no entanto, que o fornecimento não se deu pelo tempo prometido.
O que causou o apagão?
No momento em que ocorreu uma forte tempestade em Macapá, uma explosão seguida de por um incêndio comprometeu os transformadores da principal subestação do estado. O fogo danificou totalmente um transformador e atingiu os outros dois. Laudo inicial da Polícia Civil descarta que um raio tenha causado o incêndio que provocou apagão. Os moradores ficaram cinco dias completamente no escuro.
Só os municípios de Oiapoque, no extremo Norte, Laranjal do Jari e Vitória do Jari, no extremo Sul, têm energia, pois são alimentados por sistemas isolados.
Por que uma única subestação causou o apagão?
A subestação danificada é a única responsável por conectar o estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia. O estado foi interligado ao sistema em 2015. Com a falha nos transformadores, não havia opções para conectar o estado de outra maneira.
Só havia um transformador?
Não. A subestação foi projetada para abrigar três grandes transformadores, dos quais um seria para garantir a segurança do sistema, como um backup. Esse teceiro transformador, porém, estava em manutenção desde dezembro de 2019, há quase uma ano.
Quem é o responsável pela subestação?
A subestação foi construída pela empresa espanhola Isolux, que ganhou um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para esse fim. A empresa entrou em recuperação judicial e esse ativo foi transferido para outra empresa, a Gemini Energy, formada a partir de outros ativos já construídos pela empresa espanhola.
Como está o processo de recuperação da energia?
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o transformador que estava em manutenção teve condições de ser recuperado e desde o sábado (7) oferta eletricidade para cerca de 70% dos locais atingidos.
Na quarta (11), o ministério anunciou que aumentou o fornecimento de energia para 80%, depois que entrou em operação uma unidade geradora na Usina Hidrelétrica de Coaracy Nunes. Os outros dois transformadores precisarão ser trocados.
Como será feita a investigação?
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por monitorar o fornecimento de energia em todo o Brasil, abriu uma investigação com prazo de 30 dias para apurar as causas e responsabilidades. Também estão sendo feitas investigações no âmbito da Polícia Civil, na Polícia Federal e na Aneel. Na quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a realização de uma auditoria para apurar possíveis irregularidades e omissões que levaram ao apagão
Quais foram as outras consequências?
A queda de energia afetou também o sistema hidráulico do estado. Falta água encanada, água mineral e gelo. A falta de energia impactou, consequentemente, os serviços de internet e de telefonia. Caixas eletrônicos e máquinas de cartão, que precisam de carregamento elétrico, também pararam de funcionar, o que faz com que as pessoas não consigam fazer compras.
Bombas de postos de gasolina também pararam de funcionar sem energia. Com o rodízio, eles operam somente nos horários em que o fornecimento está normalizado. Só ficaram operantes os postos que têm gerador próprio.
Eleições adiadas
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou nesta quinta-feira a decisão do presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, que adiou as eleições municipais em Macapá. O primeiro turno em todo o país está previsto para este domingo e, o segundo, para o próximo dia 29. As novas datas do pleito em Macapá não foram definidas, mas a decisão desta quinta estabelece que o processo eleitoral na cidade deverá ocorrer ainda em 2020.
Fonte: Google Avançado








